Menino levou três tiros na cabeça e ferimentos são incompatíveis com versão apresentada pela mãe, diz polícia
22/09/2026
(Foto: Reprodução) Polícia Civil descarta hipótese de que menino tenha atirado contra a própria cabeça
O menino de 10 anos que levou três tiros na cabeça tem ferimentos incompatíveis com a versão apresentada pela mãe, de que a criança teria provocado o acidente com uma espingarda de pressão, segundo a Polícia Civil. Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado André Veloso disse que a perícia e a investigação apontaram que a espingarda de cano longo exige recarga manual a cada disparo e demanda esforço físico incompatível com a capacidade da criança.
“É difícil acreditar que ele tenha conseguido uma única vez atirar, porque a arma é pesada, o braço dele é curto. E no local que foi atirado, na fronte, é difícil ele ter esticado o braço e conseguido acionar o gatilho. Agora, três vezes é impossível ele ter atirado.”
Criança leva tiro acidental na cabeça e carro da família capota a caminho do hospital
O delegado ressaltou ainda que os depoimentos reforçaram a impossibilidade de a vítima ter realizado múltiplos disparos contra a própria cabeça.
“O movimento que tem que se fazer para recarregá-la precisa de muita força para fazer isso e, depois que faz isso, coloca um projétil de cada vez, um chumbinho de cada vez. Então, demoraria um lapso de tempo relevante. Seria extremamente difícil para uma pessoa já ferida fazer isso.”
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O g1 não conseguiu localizar a defesa dos investigados até a publicação desta reportagem.
Criança leva tiro acidental na cabeça e carro da família capota a caminho do hospital em Palmeiras de Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Menino foi socorrido pela família
O caso aconteceu na zona rural de Palmeiras de Goiás, na segunda-feira (14). Após os disparos, a família socorreu o menino e o levou de carro para um hospital. Segundo as informações apuradas pela TV Anhanguera, a mãe conduzia o veículo quando perdeu o controle e capotou na estrada. O padrasto também ficou ferido, mas sem gravidade.
A criança está internada em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.
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O atendimento médico inicial constatou traumatismo frontal, hematomas e insuficiência respiratória grave; exames de raio-X revelaram três projéteis alojados no crânio. De acordo com a investigação, dois tiros acertaram a parte da frente da cabeça do menino, enquanto o terceiro disparo acertou a lateral e atravessou, atingindo o cérebro da vítima. Sendo essa a lesão mais grave.
Prisão dos suspeitos e investigaação
A mãe, o padrasto e o proprietário da residência onde ocorreu o caso foram presos por suspeita de tentativa de homicídio na segunda-feira (21). O fazendeiro, que vivia com a família, também foi preso. De acordo com o delegado, ele se considerava pai afetivo do padrasto do menino. O investigador afirmou que, quando a Polícia Militar foi até a casa, ele impediu que os militares falassem com a mãe da criança, dizendo que ela estaria abalada.
Segundo o delegado, as atitudes do fazendeiro ajudaram a polícia a convencer o Poder Judiciário de que ele poderia estar envolvido no crime ou tentando atrapalhar o curso das investigações.
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Segundo o delegado, o padrasto da criança disse à polícia que estava fora de casa, visitando uma fazenda vizinha por volta do meio-dia, não tendo presenciado quando o disparo aconteceu. No entanto, após uma investigação, os policiais descobriram que ele visitou o local em um horário muito próximo do tiro.
O delegado afirmou que o caso segue sendo investigado como tentativa de homicídio qualificado, estando descartada a hipótese de tiro acidental. "As ações individualizadas, temos 30 dias de prisão temporária para tentar verificar quem fez o quê", destacou.
Histórico de violência e testemunhos
De acordo com as investigações, testemunhas relataram que o menino sofria agressões com frequência. Segundo o delegado, vizinhos ouviram os pedidos de socorro do menino no dia do crime.
"Os vizinhos escutaram a gritaria: 'Ai, ai, ai, ai, para, para, para, mãe, mãe, mãe, para, para'."
Parentes sob anonimato afirmaram desconfiar do comportamento da mãe após o ocorrido e manifestaram alívio com o avanço da apuração para identificar os verdadeiros responsáveis.
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