Goiânia tem 120 áreas de risco e mais de 6 mil pessoas em locais vulneráveis, aponta estudo; veja bairros
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Goiânia tem 120 áreas de risco e mais de 6 mil pessoas em locais vulneráveis
Um levantamento técnico identificou 120 áreas de risco geo-hidrológico em Goiânia, onde vivem aproximadamente 6.464 pessoas. Os dados fazem parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado pelo Governo Federal em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Ao todo, cerca de 1.616 imóveis estão localizados em áreas classificadas como risco médio, alto ou muito alto (confira a lista de bairros ao final do texto).
O estudo aponta 27 áreas classificadas como risco muito alto, que concentram 576 imóveis e cerca de 2.304 pessoas. Outras 49 áreas foram classificadas como risco alto, com 538 imóveis e aproximadamente 2.152 pessoas. Já as áreas de risco médio somam 44 setores, com 502 imóveis e cerca de 2.008 pessoas expostas.
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O que é considerado risco?
Goiânia tem 120 áreas de risco e mais de 6 mil pessoas em locais vulneráveis
Divulgação/SGB
Segundo o pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Rodrigo Luiz Gallo Fernandes, o risco é resultado da interação entre três fatores: o perigo de ocorrer um evento, a vulnerabilidade da construção e a exposição das pessoas.
“O risco é a interação entre o perigo, a vulnerabilidade e a exposição. Se a gente elimina um desses fatores, o risco deixa de existir”, explicou.
Ele ressalta que o risco não é estático, podendo se agravar ao longo do tempo conforme a ocupação urbana avança e intervenções inadequadas se acumulam.
Já o geólogo e chefe da Divisão de Geologia Aplicada do SGB, Thiago Antonelli, destacou que a identificação das áreas de risco foi feita com levantamento de campo detalhado, percorrendo todas as ruas do município para localizar casas sujeitas a inundações, escorregamentos e erosões.
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Segundo Antonelli, a maior parte das residências em risco em Goiânia está associada a processos hidrológicos, como enxurradas e inundações, além de erosões favorecidas pelas características do solo, considerado friável.
“A tendência é que os eventos chuvosos sejam mais volumosos e mais bruscos. Isso gera enxurradas e inundações repentinas que podem afetar a economia das pessoas e até causar mortes”, afirmou.
Principais problemas identificados
O estudo aponta que os processos mais recorrentes nas áreas mapeadas são as inundações, que atingem cerca de 40% dos setores identificados, seguidas pelas erosões, responsáveis por 34% dos casos, além dos deslizamentos.
Dos 120 setores analisados, 54 estão associados a processos hídricos, como inundações, enxurradas e alagamentos. Aproximadamente 4 mil pessoas vivem em áreas afetadas por risco relacionado à água.
As áreas críticas concentram-se principalmente nas bordas de canais como o Rio Meia Ponte e os córregos Cascavel, Botafogo, Anicuns e João Leite.
Rede hidrográfica e causas
Goiânia possui uma rede hidrográfica composta por 85 cursos d’água, incluindo o Rio Meia Ponte, afluente do Rio Paranaíba. O estudo aponta que a ocupação desordenada de planícies de inundação e Áreas de Preservação Permanente (APPs), a retirada da vegetação ciliar, a impermeabilização excessiva do solo e a falta de infraestrutura adequada de drenagem contribuem para o agravamento dos eventos.
Há registros de água ultrapassando dois metros de altura em períodos de chuva intensa em alguns trechos. Também foram identificados casos de erosão avançando até 15 metros ao longo de 20 anos, além do uso irregular de lixo e entulho para contenção de encostas, o que agrava os problemas.
Reduzir riscos
Para reduzir os riscos identificados, o plano apresenta 60 recomendações técnicas. Entre as principais medidas estão o fortalecimento e a formalização da Defesa Civil municipal, com estrutura permanente de atuação, a implantação de sistema de monitoramento geotécnico, a atualização do plano de contingência para situações de emergência e a manutenção regular das drenagens pluviais e dos canais de córregos.
O PMRR também funciona como instrumento estratégico para que o município possa captar recursos federais voltados à prevenção de desastres.
Os mapas detalhados com a localização dos bairros classificados como áreas de risco devem ser disponibilizados para consulta pública após a apresentação oficial do plano.
Veja abaixo a lista de bairros com áreas de risco:
Jardim Novo Mundo
Jardim América
Vila Romana
Vila Roriz
Setor Bueno
Setor Campinas
Setor Urias Magalhães
Setor Perim
Conjunto Caiçara
Residencial Recanto do Bosque
Jardim das Aroeiras
Vila Santa Efigênia
Parque Amazônia
Setor Aeroporto
Setor Norte Ferroviário
Uma das entradas para o 'Morro do macaco' próxima a avenida Anhanguera, em Goiás
Addan Vieira/g1 Goiás
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